Porque ver a luz não implica que não se seja cego


A maior dor que podemos ter é a da imperfeição que nos leve à rejeição do nosso próprio corpo, não pela importância do corpo mas pela inalienável vontade de ser outro que não o Eu imperfeito, sem percebermos que esse defeito não é nada mais que uma característica que enaltece outras.
Potenciamos uma característica com a carência de outra, como quem vê melhor do olho esquerdo por o direito não ser capaz de corresponder com o desejado.
Temos por norma a busca da perfeição que mais não é que a da normalidade, pois se um cego ouve de forma extraordinária e tem o tacto de tal forma desenvolvido que antes de tocar já percepciona o objecto, isto é uma prova da sua imperfeição, anomalia visual e não as extraordinárias capacidades demonstradas por outras características igualmente nobres e que ultrapassam a normalidade dos comuns. Não se pode ultrapassar determinado padrão sem que se corra o risco da estranheza.
Perceber a singularidade do Ser é provavelmente o topo da perfeição em que integramos as características intrínsecas e extrínsecas, pessoais e colectivas, normais e extraordinárias, porque será esta conjugação que respeitará o Eu e o Outro na sua plenitude.

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