Imagem de Si e do Outro

Todos temos uma imagem de nós, que na melhor das hipóteses só corresponde de forma salteada aquilo que duas ou três pessoas vêem em nós. São características que sobressaem como algo de nobre na nossa personalidade, esquecendo o facto de a maioria não ver essas mesmas características da mesma forma.
Se por nós é uma qualidade, na perspectiva do outro será um defeito, ou qualidade que seja, não deixará de mais rapidamente conseguir apontar-nos vários defeitos antes de uma qualquer qualidade.
É tudo uma questão de imagem emitida e sentida, sem que nenhuma das duas seja mais verdadeira que a conjugação das duas. Quantas mais forem as perspectivas em número, melhor será a qualidade da imagem como se aumentasse a definição (pixeis).
Cada olhar capta um pormenor diferente, e cada revelação desse olhar multiplica infinitamente as características captadas pelas características de quem olha. Somos animais infinitos nas apreciações e depreciações de uns e outros em benefício de nós. É esta parcialidade que nos torna tão únicos e é esta subjectividade que engrandece o acto humano de olhar e tentar desmistificar cada acção observada.
Somos por essência egoístas mas não necessariamente egocêntricos. Obviamente parciais sem que implique que sejamos únicos proprietarios da razão. Basta ver-nos de fora para percebermos que somos simplesmente únicos e não melhores.

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